RAIVA
NA OPINIÃO DO BILL
A manutenção e o crescimento
É evidente que uma vida onde se incluem profundos ressentimentos só leva à futilidade e à infelicidade. Enquanto permitirmos esses ressentimentos, estamos perdendo horas que por outro lado poderiam ser úteis. Mas com o alcoólico, cuja esperança é a manutenção e o crescimento de uma experiência espiritual, esse negócio de guardar ressentimento é grave mesmo, pois então nos afastamos da luz do Espírito. A loucura do álcool volta, e bebemos novamente. E conosco, beber é morrer. Se quiséssemos viver, seria preciso nos livar da raiva. O mau humor e a fúria repentina, não eram para nós. A raiva é o luxo incerto dos homens normais, mas para nós, alcoólicos, ela é veneno.
(Fonte: Na Opinião do Bill – página 5)
Lidando com os ressentimentos
O ressentimento é o principal culpado. Destrói mais alcoólicos do que qualquer outra coisa. Dele nascem tods as formas de doença espiritual, pois tínhamos estado doentes não só física e mental, como também espiritualmente. Quando nossa doença espiritual é superada, nós nos fortalecemos mental e fisicamente.
Ao lidar com nossos ressentimentos, íamos anotando-os num papel. Fazíamos uma relação das pessoas, instituições ou princípios que nos davam raiva. Depois nos perguntávamos por que nos davam raiva. Na maioria dos casos, achávamos que nossa auto estima, nossos bolsos, nossas ambições e nossos relacionamentos pessoais (incluindo o sexo), estavam prejudicados ou ameaçados.
“O mais exaltado trecho de uma carta pode ser uma maravilhosa válvula de segurança – contando que a cesta de lixo esteja por perto.”
(Fonte: Na Opinião do Bill – página: 39)
Enfrentando a crítica
Às vezes ficamos surpresos, chocados e com raiva quando alguém vê alguma falha em A. A. Somos capazes de ficar perturbados de tal forma que não conseguimos obter benefícios com a crítica construtiva.
Esse tipo de ressentimento não cria amizades e não alcança nenhum propósito construtivo. Certamente essa é uma área na qual podemos melhorar.
É evidente que a harmonia, segurança e eficiência futuras de A. A. dependerão muitíssimo da manutenção de uma atitude não agresiva e pacífica em todas as nossas relações públicas. Essa é uma taefa difícil, porque em nossos dias de bebedeira, éramos inclinados à zanga, hostilidade, revolta e agressão. Apesar de agora estarmos sóbrios, os velhos padrões de comportamento, até certo ponto, ainda estão dentro de nós, prontos para explodir com qualquer boa desculpa.
Mas hoje estamos conscientes disto e, portanto, eu estou seguro de que sempre encontraremos a graça de conseguirmos nos controlar na condução de nossos afazeres públicos.
(Fonte: Na Opinião do Bill – página: 56)
Indignação justificada
“O valor positivo da indignação justificada é teórico – especialmente para os alcoólicos. Isso deixa cada um de nós exposto à racionalização de que podemos ficar com raiva quando quisermos, desde que possamos achar justa a nossa raiva.”
Quando guardávamos rancor e planejávamos vingar essas derrotas, estávamos na verdade nos batendo com o porrete da fúria que pretendíamos usar nos outros. Aprendemos que se estávamos seriamente perturbados, nossa primeira necessidade era diminuir essa perturbação, não importando quem ou qual achávamos ser a causa.
(Fonte: Na Opinião do Bill – página: 58)
A raiva – inimiga da pessoa e do grupo
“Conforme está escrito no livro “Alcoólicos Anônimos”, ‘o ressentimento é o principal ofensor’. É uma das causas principais ds recaídas. Nós de A. A. sabemos bem que, para nós, ‘beber significa cminhar em direção `loucura’.
“O mesmo perigo ameaça todos os grupos de A. A.Se houver muita raiva, a unidade e o propósito estarão perdidos. Se também houver muita indignação ‘justificada’, o grupo pode se desintegrar; ele pode até morrer. É por isso que evitamos controvérsias. Por isso também que não prescrevemos castigos para os erros, não importa sua gravidade. Na verdade nenhum alcoólico, por nenhuma razão, pode ser privado de sua filiação.
“Castigo não cura nunca. Só o amor pode curar.”
(Fonte: Na Opinião do Bill – página: 98)
Ser justo
Acho que, com freqüência demasiada, desaprovamos e até ridicularizamos os projetos de nossos amigos no campo do alcoolismo, só porque nem sempre estamos inteiramente de acordo com eles.
Deveríamos seriamente nos perguntar quantos alcoólicos estão continuando a beber só porque não temos cooperado de bom grado com essas inúmeras organizações – sejam elas boas, más ou indiferentes. Nenhum alcoólico deveria ficar louco ou morrer só porque não foi diretamente para A. A. no começo.
Nosso primeiro objetivo será desenvolvimento da autodisciplina. Este ponto é da mais alta importância. Quando falamos ou agimos precipitada ou imprudentemente, a capacidade de ser justos e tolerantes se evapora imediatamente.
(Fonte: Na Opinião do Bill – página: 113)