GRUPO BASE Fonte: Revista Vivência – Edição 180 – Julho/Agosto – 2.019

SANGUE NOVO & APADRINHAMENTO

 

Quando a mudança e o crescimento acontecem pelas mãos e pelo entusiasmo dos recém-chegados.

 

Sempre me vi como uma pessoa aberta para o mundo. Certo é que o álcool sempre me acompanhou, até passar a ser um problema na minha vida e da minha família. Participei das mais variadas religiões, mas nunca consegui controlar meu alcoolismo. Entretanto, Alcoólicos Anônimos salvou-me. Minha mãe, intrigada, passou a repetir: vou descobrir o mistério de A.A.; como é que conseguiram fazer você parar de beber?

Eu estava bebendo muito. Trabalhava na direção de uma escola, como concursada, e bebia toda tarde. Certo dia, a Secretária de Educação chamou-me e disse-me: você sabe que está bebendo demais. Sei que é competente e responsável, mas precisa mudar, não dá para sair da escola e ir direto  para o bar. Não pode continuar bebendo assim! O que prefere: ir para uma clínica ou assistir reunião de Alcoólicos Anônimos?

Eu estava errada e sabia que a Secretária estava falando sério. Mesmo concursada, um vacilo meu naquele momento poderia acarretar problemas. Preferi ir para A.A., pois tenho fobia de lugares fechados e não conseguiria ficar numa clínica. A Secretária pediu que uma professora me acompanhasse, numa noite de quarta-feira, à única reunião semanal do Grupo de A.A. Renascer, em Camaçari (BA). Ao mesmo tempo, transferiu-me para o gabinete da Secretária de Ensino, afastando-me do convívio alcoólico em meu bairro e com marcação cerrada sobre minha frequência às reuniões de A.A.

Logo identifiquei-me com os companheiros, com as reuniões, com o programa de A.A. e com o serviço do grupo. Encontrei colegas de trabalho participando de A.A. e passamos a conversar sobre a programação da irmandade. Então, um companheiro disse-me: você que gosta de ler, veja, esta é a Revista Vivência. Se quiser acompanhar-nos, no domingo haverá reunião do Distrito. Eu não fazia ideia de que se tratava, mas fui conhecer o tal distrito – e encantei-me.

Passei a interessar-me pela literatura. No me de janeiro de 2000, houve vários ingressos em nosso grupo e os novos – eu incluída – passamos a nos reunir no trabalho, para discutir novas ideias. Ficávamos até depois do horário estudando a literatura de A.A., que tanto nos encantava. Logo percebemos que seria melhor reunirmo-nos no grupo, pois tínhamos noite livres e lá seria mais tranquilo para partilharmos leituras e o que cada um tinha entendido dos livros. Assim fizemos.

No Distrito, conhecemos outros grupos, participamos de encontros de estudos e eventos fora da cidade, como o Seminário Nordeste e a Convenção Nacional. Minha recuperação tornou-se muito mais rica.

Quanto ao grupo, quando ingressei tinha apenas uma reunião semanal, às quartas-feiras, mas, logo depois dos novos ingressos, passamos a fazer reuniões também aos sábados.

Em março de 2000, nós, recém-chegados, demonstramos interesse em fazer reunião de literatura. Assim, mesmo com posição contrária de alguns veteranos, começamos a discutir essa ideia nas reuniões de serviço.

Três meses depois, após uma maravilhosa participação na Convenção Nacional, já tínhamos reuniões todos os dias. Às segundas-feiras, estudamos os Doze Conceitos, às terças, fazemos debates a partir de temas sorteados, como uma oficina, onde falamos sobre princípios tirados do Reflexões Diárias, Na Opinião do Bill, ou sobre despertar espiritual – com as cadeiras em círculo. Às quartas e sábados, fazemos reuniões de depoimentos, com as cadeiras em fila. Às quintas e sextas, realizamos estudos, mas sempre deixando claro que todas as reuniões são de recuperação.

Todas essas mudanças foram discutidas e decididas nas reuniões de serviço. Hoje, permanecemos apadrinhando os novos, incentivando-os a participarem para compreender as reuniões do distrito, pois o programa de A.A. inclui muito mais do que apenas parar de beber. A revista Vivência está sempre presente nas discussões do grupo. Funcionamos em um local alugado, autossuficiente. Para mim, ainda não é o espaço ideal, mas a mudança de imóvel será nosso próximo desafio, sempre procurando agregar a participação de todos, novatos e veteranos.

Sabemos que o apadrinhamento inicial e fundamental, por isso, logo na entrada da nossa sala de reuniões, está afixado um banner contendo o organograma de toda a estrutura da Irmandade no Brasil, desde o grupo até a Junta de Serviços Gerais de A.A. do Brasil, JUNAAB. Ao lado, fica uma mesa expondo toda a nossa literatura, que pode ser manuseada e emprestada para leitura. Sempre conscientizamos sobre a necessidade da prática da Sétima Tradição, para que continuemos contribuindo com nossos órgãos de serviço.

Propostas novas estão sempre surgindo, pois fazemos inventário periódico do grupo, examinando o que melhorou, o que não foi possível realizar e o porquê. Buscamos o que pode ajudar o grupo a crescer um pouco mais e, na verdade, tudo isso mantém a interação dos companheiros entre si, com nossa literatura e princípios, propiciando, também, que todos tenham oportunidades para avançar em sua recuperação individual, integrada ao crescimento da Irmandade.

Sandra, BA

 

 

Fonte: Revista Vivência – Edição 180 – Julho / Agosto – 2019 – Paginas: 26 – 27 – 28

 

 

DESCOBRI MEU GRUPO-BASE!

 

Depois de frequentar A.A. fora de sua cidade, ele sentiu seu pertencimento à irmandade ao encontrar seu Grupo-Base, descobrindo como até mesmo um pequeno grupo pode tornar-se um elo forte na corrente da Irmandade.

 

Sou Marcos, um alcoólico. Ingressei em A.A. num grupo fora de minha cidade – nem sabia da existência de A.A. lá onde moro. Frequentei durante um ano, ia todas as reuniões, mas faltava algo. Até que, um dia, ainda envergonhado pelo estigma da doença, fui ao grupo de minha cidade e tudo mudou. Cheguei lá para uma reunião e estou até hoje.

O que aconteceu? Encontrei o serviço: o grupo estava com problemas, pois dividia a sala de reunião com outro grupo e isso gerou desentendimentos, cada um foi para seu lado. Encontrei quatro companheiros e sem saber o que fazer. Foi ai que descobri o que estava faltando para mim. Abracei a causa e pude entender a força que reside em servir ao grupo. Quase que automaticamente mudei de grupo, onde ingressara eu era apenas um frequentador de reuniões, no outro, de repente, passei a me sentir como parte integrante, o ato de servir levou-me a fazer parte.

Na época, nosso grupo não fazia parte da estrutura de A.A., isto é, vivia isolado, não participava das reuniões do Distrito e falar de literatura era praticamente proibido. Mas a mensagem pouco a pouco começou a aparecer, precisávamos de algo mais. Creio que a busca da espiritualidade sempre nos fez buscar o crescimento; assim, quando vimos, estávamos participando da estrutura da Irmandade.

Com o apadrinhamento recebido nessa participação, buscamos nossa autossuficiência financeira, mudamos para uma sala alugada e alteramos o formato da reunião para californiana: cadeiras em círculo, sem mesa coordenadora. Tudo foi discutido e decidido pela consciência coletiva do grupo. Desde então, estamos sempre presentes em atividades e eventos, contribuindo regularmente com nossos órgãos de serviço, locais e nacionais.

Um companheiro certa vez disse que “ao pertencer a um grupo-base sinto-me mais à vontade. Tenho a sensação de que os companheiros me conhecem e aceitam”. Concordo com ele. O grupo-base firma o membro de A.A. no programa e, talvez, a chave esteja no compromisso de participar do serviço ou, mesmo que não sirva diretamente, cada membro pode sentir-se corresponsável, desde quando o tesoureiro pede mais generosidade na sacola até aqueles momentos agradáveis de levar a mensagem aos diversos segmentos da sociedade. Aliás, nos 70 anos de A.A. no Brasil, meu grupo-base conseguiu cadastrar mais de 70 profissionais – que era o desafio proposto – e encaminhamos todos esses nossos amigos para o cadastro do CTO da JUNAAB.

Mas o que tem a ver o grupo-base com minha recuperação? É lá que minhas dificuldades de relacionamento são realçadas. É lá que aprendo a lidar com divergências, fofoca, ciúmes, inveja e outros fatos, externos e internos à minha pessoa. É lá que estremeço quando tenho minha opinião contestada. É lá que exercito minha aceitação, afinal conviver com outros é um desafio diário e exercitar essa convivência tem sido excelente para minha recuperação. Relacionar-me com meus companheiros em um grupo é colocar em prática os princípios de A.A., desde o Primeiro Passo até o Conceito XII. É essa convivência com companheiros de diferentes personalidades que me mostra quando acerto e quando erro, onde preciso melhorar – tudo isso é o que meu grupo-base oferece-me.

Considero o grupo-base como meu porto seguro: lá, estou sempre em segurança. É onde posso falar sem ser julgado, onde aprendo a ouvir colocando-me no lugar do outro. É onde meus companheiros não me deixam regredir à minha mania de ser Deus, pois sempre me reduzem ao meu verdadeiro tamanho, através da prática dos princípios. Meu grupo-base é meu tudo.

Além de me proporcionar tudo isso, há mais de dez anos meu grupo-base mantém um consórcio com formato de quinze companheiros, com direito a uma assinatura da Vivência, um relatório da Conferência, uma inscrição para a Convenção e um livro de nossa literatura. Fazemos reunião de inventário de grupo pelo menos uma vez por ano, além de temáticas com amigos de A.A. e um grande evento anual. Contribuímos mensalmente com nosso Distrito, Área, JUNAAB e até com o Fundo Internacional de Literatura (FIL) em Nova Iorque, desde que ficamos sabendo de sua existência e da sua importância em traduzir nossa literatura para países onde A.A. está iniciando. Além de contribuir financeiramente com nossos órgãos de serviços, contribuímos também formando e enviando servidores, desde o distrito até à JUNAAB. Com alegria e gratidão, dois dos nossos servidores já atuaram como representantes brasileiros na Reunião de Serviço Mundial (RSM).

Somos um grupo pequeno, estamos em uma cidade pequena e com portas abertas desde 1985. O nome do meu grupo-base é Cachoeira da Paz e estamos localizados em Cachoeira do Campo (MG).

Marcos, MG

 

Fonte: Revista Vivência – Edição 180 – Julho / Agosto – 2019 – Páginas:  28 – 29 – 30 – 31

 

 

DISCUSSÃO EM GRUPO

 

“Quando você bebia, afastava-se pouco a pouco da vida. Agora, está voltando à vida social deste mundo. Não comece a se afastar novamente (…) somos nós mesmos os responsáveis por nossos problemas. As garrafas são apenas um símbolo. Além disto, paramos de lutar contra qualquer pessoa ou qualquer coisa. Precisamos ser assim (…) e praticar estes princípios em todas as nossas atividades”.

(Alcoólicos Anônimos, págs. 129 a 131 e enunciado do Décimo Segundo Passo)

 

  1. Nos lugares onde moramos e vivemos, paramos de lutar no trânsito, seja contra motoristas, motoqueiros, ciclistas ou pedestres?
  2. Como condutores de qualquer tipo de veículo ou a pé, estamos sendo prudentes e responsáveis?
  3. Como estamos conduzindo cada uma de nossas atividades diárias?
  4. Um Poder Superior, como cada um O concebe, está tendo lugar na maneira como lidamos com nossas circunstâncias, um dia de cada vez?
  5. Em nosso grupo-base, que cuidados temos tomado para que um Poder Superior possa manifestar-se em nossa consciência coletiva, na direção dos nossos assuntos locais?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s