GRUPO BASE Fonte: Revista Vivência – Edição 178 – Março/Abril – 2.019

GRUPOS IRMÃOS

 

Conscientes de que nosso futuro depende do exemplo aos que estão chegando, grupos mais velhos apadrinham a formação dos caçulas, tal como Aas experientes apadrinham alcoólicos recém-chegados!

 

Cheguei à Irmandade no dia 2 de janeiro de 1999, no Grupo de A.A. Santa Cecília. Precisava. Fiz meu ingresso. Tive dificuldades para me firmar. Depois de três recaídas, envergonhado, sempre muito violento com a família, em setembro de 2002 voltei, mas fui ao outro grupo da cidade; Grupo de A.A. Libertação.

Presente em todas as reuniões, interei-me das atividades do grupo. Mas eu morava longe, e era um transtorno ir até o centro da cidade, onde funcionava o grupo. Outros companheiros também tinham essa dificuldade, tanto no Libertação quanto no Santa Cecília.

Assim, eu e três companheiros do meu bairro começamos a pensar na possibilidade de abrirmos uma reunião mais perto de nossas casas; afinal, sabíamos que a recuperação seria para toda a vida. Dois anos já tinham se passado; agora, eu percebia claramente o quanto a programação de A.A. é importante na produção e manutenção das melhoras que sentimos a cada dia.

Enfim, tomamos a iniciativa – inicialmente éramos quatro companheiros, três do Libertação e um do Santa Cecília – buscando um local e apoio do distrito de A.A., que foi integral. Fizemos nossa primeira reunião em 28 de setembro de 2009, na Escola Joaquim Passos. Era o começo das atividades do Grupo de A.A. Salvador, meu atual grupo base.

Com o apadrinhamento do distrito, montamos um comitê de serviço e fizemos divulgações para levar a mensagem nas imediações: reuniões em instituições de tratamento e em comunidades; panfletagens em feiras livres; também pintamos os dados do grupo em muros, com autorização pública. Procuramos manter, até hoje, a mesma perseverança no serviço de levar a mensagem.

O grupo consolidou-se e, após dois anos, alugamos uma sala comercial. Há sete anos funcionamos com autossuficiência financeira e autonomia no uso do espaço. Oferecemos reuniões todos os dias da semana. O comitê de serviço está completo, contando com membros empenhados e de boa frequência às reuniões. Temos reuniões de literatura mensais, além de uma reunião com tema livre, onde o RV – Representante da Vivência coordena leituras e reflexões em torno das edições da revista.

Temos consciência das dificuldades que muitos grupos da irmandade enfrentam atualmente. Nosso ingressante mais novo tem um ano entre nós, alguns recaídos têm voltado, mas sabemos das dificuldades que a doença impõe; retornar parece ser sempre mais complicado.

A experiência da construção do nosso grupo foi tão positiva que pudemos apadrinhar outro novo grupo irmão na cidade, também com apoio do distrito local, em outro bairro também afastado do centro, formando o Grupo de A.A. Paraíso – que hoje é o caçula.

Hoje, temos clareza de que estender as mãos ao alcoólico que ainda sofre é o princípio primordial da nossa recuperação pessoal. E também de que a abertura de novos espaços de A.A. em bairros afastados pode ser uma ótima maneira de ajudar os que ainda não conhecem nossa mensagem e programa.

Atualmente, estamos refletindo e debatendo, no distrito, as possibilidades do projeto de regionalização aprovado em 2018 na 42ª. Conferência de Serviços Gerais. Sabemos que ainda não conseguimos atingir todas as regiões da nossa cidade, e o projeto de regionalização pode ser um instrumento de auxílio a essa demanda local.

Sentimos falta de servidores comprometidos; nosso material humano é sempre escasso; mas nosso futuro depende da unidade e ação como exemplo aos que estão chegando. Praticando, podemos nos tornar bons exemplos, atraindo novos servidores com disposição para a prática do Terceiro Legado. Hoje, tenho certeza de que a fé sem ação é morta.

Edson, Jacareí/SP

 

 

Fonte: Revista Vivência – Edição 178 – Março / Abril – 2019 – Paginas: 28 – 29

 

 

UNIDADE EM PRIMEIRO LUGAR

 

Diferenças não precisam transformar-se em controvérsias públicas envolvendo o nome de A.A.; é possível manter o respeito mútuo e o Legado da Unidade de A.A. mesmo na vigência delas.

 

De uma diferença na compreensão das Doze Tradições, surgiu o Grupo de A.A. 22 de Dezembro, na cidade de Unaí / MG. O grupo foi fundado nessa data, em 1995, com a presença de 22 companheiros, e a sacola da Sétima Tradição somou 22 reais. Cheguei a esse grupo, também, num 22 de dezembro, há dezoito anos.

Nas reuniões comemorativas, onde os veteranos contam as origens de cada grupo local – para que os novos possam entender o que já existe quando chegamos – pude compreender as antigas divergências, as soluções então tomadas e a importância da unidade entre os grupos, mesmo com suas diferenças.

O Grupo de A.A. Liberdade, pioneiro na cidade, tomou certas atitudes consideradas distantes dos princípios da Irmandade. Nas duas reuniões semanais então existentes, havia a participação de internos de uma clínica onde era exigido escrever e ler os Doze Passos nos depoimentos. Escrever e ler criou constrangimento, fosse para companheiros com dificuldades na escrita, fosse, principalmente, para os novos. Essa foi a causa da separação.

Companheiros mais esclarecidos quanto à literatura de A.A. reagiram a essa prática e uniram-se para formar outro grupo local, que funcionasse com base na literatura de A.A. Assim surgiu o 22 de Dezembro, com a perspectiva de praticar os Doze Passos, não de ler e escrever sobre eles. Uma sala foi alugada e reuniões foram agendadas nos mesmos horários das reuniões do Liberdade, para evitar que membros daquele grupo tentassem impor as mesmas práticas ao novo grupo.

Praticar o sugerido na literatura e transmitir a mensagem de A.A. passaram a ser as principais atividades do novo grupo. Depois foram iniciados outros dois grupos na cidade, com apadrinhamento do 22 de Dezembro. Hoje apadrinhamos grupos em cidades próximas, sempre com participação de companheiros mais experientes.

O grupo Liberdade também participa, pois mesmo com a polêmica inicial, nunca nos distanciamos, nem houve qualquer intriga que nos afastasse uns dos outros. A antiga prática de leitura e escrita dos Passos não existe hoje em nenhum grupo da cidade.

Desenvolvemos inúmeras atividades, nas prisões, empresas e instituições de tratamento, coordenadas em unidade no distrito. Nos eventos, relembramos de forma fraterna as diferenças que tivemos no passado. Sempre confraternizamos e compartilhamos experiências entre novos e veteranos, independentemente do grupo que cada um frequenta.

A irmandade sempre nos uniu em torno do seu propósito de passar adiante a mensagem. Aprendemos que estender a mão está acima de qualquer diferenças. Graças a um Poder Superior e à prática da programação, continuamos respeitosamente em Unidade.

  1. C., Unaí / MG

 

 

Fonte: Revista Vivência – Edição 178 – Março / Abril – 2019 – Páginas:  30 – 31

 

 

DISCUSSÃO EM GRUPO

 

“O problema da honestidade toca quase todos os aspectos das nossas vidas. Existe, por exemplo, o difundido e intrigante fenômeno da autoilusão. Existem aqueles espantosos tipos de negligente afirmação da verdade que carecem tão frequentemente de prudência e amor. E existem também aquelas incontáveis situações da vida nas quais nada além da total honestidade irá funcionar, não importa o quão dolorosamente possamos ser tentados pelo medo e pelo orgulho que nos reduziriam às meias verdades ou às negações imperdoáveis.”

(fragmento do livreto O Melhor de Bill, página 23)

 

  1. Visto que a abstinência do álcool não é suficiente para libertar-nos das autoilusões, quais ferramentas sugeridas em A.A. podem ajudar-nos a evitá-las hoje?
  2. Como servidores, em quais situações do dia a dia do grupo base podemos sentir-nos tentados a usar meias verdades ou negações?
  3. Como membros, em quais situações do dia a dia do grupo base podemos sentir-nos tentados a usar meias verdades ou negações?
  4. Nosso grupo tem bons casos de prática da honestidade em sua história? Quais?
  5. Como a prática da honestidade nas atividades de A.A. tem-nos ajudado a praticá-la “em todas as nossas atividades”?

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