GRUPO BASE Fonte: Revista Vivência – Edição 176 – Novembro/Dezembro – 2.018

Faz diferença compartilhar à luz da literatura de A.A.

A Introdução de Reuniões de Literatura não foi fácil, mas trouxe substância espiritual à vida dos membros, ao grupo e aos seus vínculos com a comunidade.

Quando cheguei a A.A. havia seis companheiros no grupo. Perguntei: por que tão poucos? Responderam-me que era por causa da indolência, da dificuldade que as pessoas tinham em aceitar o programa e adaptar-se à disciplina do grupo.

Fui bem recebido, mas eu estava apenas acompanhando um amigo que tinha problemas com a bebida. Entretanto, depois desse dia, fui, aos poucos, percebendo que eu também precisava de A.A. Assim, há quatro anos, resolvi voltar. Aceitei que precisava mudar de vida. Os princípios da Irmandade apontaram-me novo caminho.

O companheiro que me recebeu apadrinhou-me nos meus primeiros entendimentos sobre o programa e a Irmandade. Na ocasião, ele servia como coordenador do grupo. Ao ver meu interesse pelos livros de A.A., começou a estudá-los comigo. Foi excelente padrinho, assim como sua esposa, que é Al-Anon. Aos poucos, fui aprendendo que a literatura pode e deve ser compartilhada, lida, ouvida e assimilada em comum. Individualmente, lemos, entendemos; mas, somente no contexto diverso, coletivo do grupo conseguimos nos apropriar dos ensinamentos em nossa vida prática.

Meu grupo base foi criado Há 29 anos, em setembro de 1989. Nessa época, não havia reunião de literatura no grupo. Os depoimentos eram sempre relacionados ao chamado cachaçal. Até certo ponto isso parece normal, afinal, vindos do boteco, do que mais sabemos falar é da nossa prática alcoólica. Mas o programa de A.A. foi feito e compartilhado para mudarmos essa nossa realidade.

Logo descobrimos que, se estávamos permanecendo sóbrios por meio do programa, não tínhamos porque sentir vergonha ou receio de falar dos princípios desse programa de Doze Passos, Doze Tradições e Doze Conceitos. Percebemos que Alcoólicos Anônimos não serve apenas para parar de beber, mas também para uma reformulação completa de nossas vidas.

Pouco depois, fui convidado para servir como representante de serviços gerais (RSG) e coordenador do grupo.  Na coordenação, comecei a conversar com alguns companheiros para abrirmos uma reunião de literatura e, caso houvesse impedimentos pela consciência coletiva, formaríamos novo grupo com essas reuniões. Nossos líderes mais experientes, entretanto, ficaram sabendo dessas intenções e abriram a discussão. Para minha surpresa, um veterano disse-me: nosso grupo tem quase 30 anos e vivemos esse tempo todo muito bem. Se o problema é estudar literatura, então que façamos essas reuniões e mantemos o nosso grupo unido, como sempre foi em todos estes anos.

Mesmo com apoio dos veteranos, houve quem ficasse contra a mudança. Mas, hoje, grande parte dos que eram contrários já aceitam as reuniões de literatura com naturalidade. Sabemos que muitos de nós temos dificuldade em ouvir, ou até aceitar a literatura, por considerá-la sofisticada. Mas, quando conseguimos compartilhar nossas experiências em torno de um princípio de forma simples, com a linguagem do coração, refletindo coletivamente sobre ele, com tolerância e respeito, lançando luz sobre as práticas contrárias ao programa, o grupo só tende a melhorar.

Hoje, temos três reuniões semanais: às segundas e quartas feiras, fazemos estudo dos Passos e das Tradições, enquanto aos sábados, fazemos reunião de depoimentos. Às vezes, a revista Vivência é lida na reunião de depoimentos como subsídio.

Depois da introdução das reuniões de literatura em nosso grupo, muitas coisas mudaram positivamente. Claro que ainda temos dificuldades eventuais. Por exemplo, ainda há resistências para que o grupo contribua financeiramente para a autossustentação da Irmandade – distrito, área e JUNAAB. Por outro lado, fazemos divulgação na comunidade por meio da afixação de cartazes, e o comitê trabalhando com os outros (CTO) implantou um serviço de cooperação no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) local, como também em outros setores. Isto tem levado a novos convites ao grupo, para mais ações de divulgação na cidade.

Hoje, acreditamos que, se seguirmos as Doze Tradições, não haverá mando ou poder pessoal no grupo. A consciência coletiva avalia e decide; cada membro manifesta sua opinião, respeitando ou tolerando outras visões e proposições. Entendemos ser esta a essência da Irmandade. Espiritualmente, a participação em A.A. prepara-nos para suportar mudanças e levar a mensagem, com um crescente percebimento de que estar em serviço é estar com a literatura viva no grupo.

 

Fonte: Revista Vivência – Edição 176 – Novembro / Dezembro – 2018 – Paginas: 28 – 29

 

 

Pequena parte de um grande todo

Conviver em unidade torna-se mais fácil quando buscamos amparo na experiência acumulada de A.A., presente em sua estrutura, literatura e princípios, além da nossa boa vontade.

Durante muito tempo, em meu grupo de origem, ouvi os veteranos dizerem que aquele que lesse os Doze Passos voltaria a beber, pior ainda se os praticasse. Por causa dessa ideia negativa, um companheiro que havia sido Delegado Nacional fazia uma reunião às escondidas, às quartas feiras, para ensinar-nos o conteúdo dos Passos. Foi quando aprendi as primeiras noções de recuperação.

Quando ingressei em A.A., em 1982, parecia-me não haver quase mais nada a fazer além de evitar o primeiro gole. Em Natal, minha cidade, só existia um grupo em funcionamento, onde não se sabia quase nada da nossa estrutura de serviços, nem do programa de A.A.

Com o passar do tempo, novos companheiros foram chegando e tivemos um salto na quantidade de grupos. Felizmente, alguns se interessaram pelos serviços e também por nossa estrutura. Foi nesse período que tivemos um companheiro eleito como Delegado Nacional.

Antes de surgir entre nós a expressão grupo base, nossas reuniões de serviço eram um tumulto só, também porque eram divulgadas em outros grupos e companheiros desses grupos compareciam, opinando sem conhecimento das necessidades do nosso grupo. Além de confusão, isso gerava discórdias e ressentimentos que, ainda hoje, são pontuados, aqui e acolá.

Em 1983, conseguimos fundar a então chamada central de serviços em nosso estado. Com dificuldade, começamos a comprar literatura e, em 1989, iniciamos reuniões do antigo CRI – Conselho de Representantes Intergrupais, que depois se converteram em RSGs – Representantes de Serviços Gerais. Como cada grupo tinha seu representante, comecei a aprender o que era, de fato, um grupo base.

Hoje, entendo que meu grupo base não é, necessariamente, aquele em que ingressei, mas sim aquele do qual escolho fazer parte, prestando serviços e frequentando regularmente as reuniões. Às vezes, quando faço uma abordagem longe da minha área geográfica, encaminho a pessoa para um grupo perto da sua casa, para facilitar sua recuperação, sem pensar em atraí-la para meu grupo somente para aumentar nossa frequência.

Frequento regularmente as reuniões do meu grupo base, mas também vou a reuniões de outros grupos. Não considero meu grupo como melhor ou superior. Nele, não há regras rígidas, nem se exige nada de ninguém, todos participam de forma igualitária – com a consciência de que somos apenas uma pequena parte de um grande todo.

 

Fonte: Revista Vivência – Edição 176 – Novembro / Dezembro – 2018 – Paginas: 30 – 31

 

Discussão em Grupo

 

“Quem quer que você seja, por mais baixo que tenha chegado, por mais graves que sejam as suas complicações emocionais – até mesmo os seus crimes – não poderemos negar-lhe A.A. Não queremos que fique de fora. Não tememos nem um pouco que você nos faça mal, por mais perverso e violento que você seja. Queremos apenas ter certeza de que você terá a mesma oportunidade de chegar à sobriedade que nós tivemos.”

(Extraído de Os Doze Passos e as Doze Tradições, página 125)

 

  • Como temos recebido novos que chegam ao grupo com dependência cruzada, outros problemas e/ou doenças?
  • O que conhecemos das orientações contidas nos folhetos O membro de A.A. – medicamentos e outras drogas e Outros problemas além do álcool?
  • À luz da Terceira Tradição, qual deveria ser nossa atitude diante de alguém que compartilha sobre esses assuntos?
  • Como temos apadrinhado membros nessa situação?
  • Como a prática do Terceiro Legado – Serviço – pode ajudar a superar tais problemas?

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