DA DESONESTIDADE ÀS VIRTUDES

Dr. Laís Marques da Silva.
Ex-Custódio e Presidente da JUNAAB.

Desonestidade, manipulação, negação, racionalização, projeção. Essas são, usualmente, realidades por demais conhecidas dos alcoólicos, quando na ativa. Pensar e agir dessa forma conduz a um comportamento dominado pela desonestidade e pela constante manipulação de fatos e de pessoas. No entanto, estando sóbrio, o alcoólico quer saber o que é bom. Fazer o que é certo, servir ao que é justo, ou seja, fazer a coisa certa. Embora sejam metas que exigem esforço, persistência e determinação, é comum encontrar companheiros que lutam por “fazer a coisa certa”. Estando sóbrio, ironicamente, ele precisa vencer a sensação que às vezes ocorre de que a vida no alcoolismo era mais divertida que na sobriedade. Mas as atitudes viciosas fazem as coisas funcionarem mal enquanto que as virtudes sustentam o bem-estar e são o fundamento para uma vida feliz e plenamente realizada.
O alcoólico na ativa costuma negar, racionalizar e projetar. Então, vamos tratar do oposto, ou seja, da: verdade, fidelidade, integridade e fé. Todos intimamente interligados.
Honestidade, ao contrário, implica em clareza e retidão de conduta, em estar de acordo com os fatos. Honestidade, honra, integridade e probidade implicam em se agir com retidão de caráter. Honestidade é recusar-se a mentir, roubar, enganar ou ludibriar, em qualquer situação. Integridade implica em ser digno de confiança e incorruptível de forma que não se seja não confiável diante de uma verdade, responsabilidade ou promessa. Probidade significa honestidade ou integridade já testada e provada. Honestidade, honra, integridade e probidade têm em comum o fato de agir com retidão de caráter.
Negação é, simplesmente, o ato de negar, ou seja, de recusar a aceitar alguma coisa como verdadeira ou válida. Por meio da racionalização, que é elaborar sobre falsas razões, o alcoólico procura explicar o inexplicável com o intuito de se justificar. Já a projeção é um mecanismo de defesa que consiste em projetar impulsos, conflitos internos, ou seja, em considerá-los como provenientes de outrem ou, de forma mais geral, do mundo exterior, em atribuir nossas próprias ideias, sentimentos ou atitudes a uma outra pessoa ou objeto.
O que vamos tratar é abstrato e árido, mas vai ao mistério profundo da nossa vida interior mais secreta e à origem dos nossos atos externos. Em algum momento das nossas vidas, temos que voltar a nossa atenção para dentro de nós mesmos porque descobrimos que a felicidade não depende apenas dos bens materiais que possuímos, dos relacionamentos que temos ou das nossas realizações. É preciso cuidar da riqueza do nosso núcleo interior.

VERDADE

É algo que corresponde aos fatos, à realidade. Algo factual como, por exemplo, quando se diz “se você disser a verdade, nada deve temer”. Refere-se a um fato óbvio, ou seja, algo que é tão claramente verdade que dificilmente necessita ser declarado como tal. É também algo em que geralmente se acredita como sendo verdadeiro, como a verdade religiosa. Verdade está associada à sinceridade. É também o que está de acordo com um padrão ou a lei.
Os mitos são um modo muito rico de abordar aspectos complexos e multidimensionais da natureza humana. O mito de Orestes mostra claramente a necessidade e a importância da verdade, da verdade completa e não da meia verdade, que ainda é uma mentira, para se poder desfrutar de boa saúde mental.
O Mito de Orestes
Orestes era filho de Agamenon e de Clitemnestra. Com a Guerra de Tróia, houve um longo afastamento do lar por parte de Agamenon. Clitemnestra havia sofrido um trauma severo com o sacrifício da filha Ifigênia, quando da partida da esquadra para a guerra de Tróia e, estando Agamenon ausente, Clitemnestra se juntou ao amante, Egisto, e juntos assassinam Agamenon quando do seu regresso à pátria. Orestes, o filho, ficou, então, com um terrível e insolúvel dilema: a maior obrigação de um jovem grego era vingar o pai assassinado e a pior coisa que um jovem grego poderia fazer era assassinar a sua mãe. Orestes matou a mãe e o amante e foi penalizado pelos deuses do Olimpo com as Fúrias que continuamente o rodeavam e tagarelavam no seu ouvido, causando-lhe alucinações e levando-o à loucura. Orestes correu mundo e, por ser sempre perseguido, pediu um novo julgamento aos deuses para que a sua pena fosse aliviada. No novo julgamento, o deus Apolo fez a defesa de Orestes e disse que todo o fiasco não era senão o resultado da culpa dos próprios deuses que não deram a Orestes nenhuma melhor escolha e que, assim, ele não poderia ser considerado culpado. Os deuses concordaram, mas, para espanto geral, Orestes se levantou e, opondo-se a Apolo, disse que tinha sido ele mesmo quem havia matado a mãe e não os deuses e por isso era culpado. Nunca, antes, ninguém tinha sido tão verdadeiro a ponto de, tendo sido passada a culpa aos deuses, afirmar que a culpa era realmente sua. Em razão deste fato, os deuses reafirmaram a decisão de suspender a pena de Orestes e as Fúrias foram substituídas pelas Eumênides, cujo nome significa “portadoras da Graça”. Não eram mais vozes tagarelantes, irritantes e negativas, mas sim vozes de sabedoria.
Este mito mostra a transformação da doença mental em extraordinária saúde e a verdade é o preço de tão maravilhosa transformação. A verdade libertou Orestes e o grupo de A.A. é um local de encontro com a verdade. A verdade tem vitalidade, tem vida própria, do mesmo modo que a unidade tem poder.
A frequência aos grupos é indispensável pois nota-se que muitas pessoas esquecem os princípios, que não os aprendem bem ou os aplicam de modo deficientemente de modo que não são transformados em hábitos regulares em formas de pensamento habituais. Ao longo do tempo, perdem a motivação e a inspiração e param de tentar. A motivação é como o fogo; as chamas se apagarão se o fogo não for alimentado. A transformação profunda do self exige que se tenha um progresso constante.
A verdade de quem escuta ajuda a quem faz o depoimento a encontrar a sua verdade, que é o fundamento da recuperação e a qualidade de ser alcoólico é a característica que permite que quem escute um depoimento seja capaz de compreender, de aceitar o que é relatado, sem julgar.
Coragem por parte do companheiro e compreensão por parte dos membros do grupo são essenciais para uma perfeita comunicação. Um depoimento enriquecedor só pode ocorrer num ambiente percebido, sentido, como sendo seguro, isto é, em que haja compreensão, não censura, não julgamento, nenhum comentário posterior a um depoimento. Mas tendo empatia e experiência prévia os membros do grupo não são levados a se escandalizar com o conteúdo do depoimento.
Não importa como o alcoólico chegue ao Programa de Recuperação, de crescimento espiritual, a verdade é que o programa estava lá, esperando por ele.

FIDELIDADE
A palavra pode ser entendida: como lealdade a uma promessa, juramento ou voto; como fidelidade sexual é a lealdade a um parceiro sexual, especialmente sendo marido ou mulher; como precisão em relato de fatos ou de detalhes; como precisão em reprodução eletrônica é o grau em que um equipamento eletrônico, como um sistema estéreo ou de televisão, apuradamente reproduz som e imagens.
Analisemos o oposto, isto é, a infidelidade, que é a incapacidade de sermos fieis a nós mesmos, ao que pensamos, ao que amamos, ao que dissemos, ao que prometemos. A infidelidade é como uma rachadura num dique, que termina em avalanche.
É um inimigo insidioso do ser humano no plano psíquico e ainda mais destruidor nos planos intelectual e espiritual, onde o equilíbrio é indispensável à felicidade. Ser infiel implica na autodestruição invisível da unidade pessoal.
Aquele, que não é fiel, coloca-se abaixo da sua própria humanidade e uma das maiores alegrias que se pode ter está em ajudar as pessoas entenderem e desenvolverem a sua própria humanidade.
A esse respeito, a história do profeta Jonas é muito ilustrativa. A palavra Jonas vem de iona, que quer dizer a pomba de asas cortadas. Jonas foi chamado para Nínive, onde muita coisa ruim estava acontecendo e a cidade caminhava para a destruição. Mas não acreditou nele mesmo, não foi fiel ao seu compromisso e resolveu ir a passeio para um outro lugar, atendendo ao convite sedutor da fraqueza. Isso fez com que ficasse doente pois não estava em paz, não estava bem consigo mesmo. O fato de não estar em paz adoece as pessoas. A doença é um fax que recebemos e é preciso entender o que está acontecendo quando se fica doente. O problema surge quando nos desviamos do nosso caminho, quando nos desviamos da nossa fidelidade. Mas veio a tempestade, que ocorre sempre que não se está bem consigo mesmo, com a própria consciência, com quem não é fiel e nela Jonas foi jogado ao mar e, já na barriga da baleia, reconheceu que havia fugido da palavra dada, do compromisso e decidiu reassumi-lo novamente. Depois, foi jogado na praia e podemos entender este fato como o início de uma nova vida. Temos que vencer o nosso Jonas interior, ser fiel ao que pensamos, acreditar no que somos e agir com integridade.
Fidelidade à palavra é uma prova de caráter, a prova oral sendo mais importante do que a escrita. Fidelidade é coerência, é permanência. Ser fiel é ir do não ser para o ser. É permanecer no ser. É essencial para a coesão da personalidade.
A fidelidade é a virtude socrática por excelência, “conhece-te a ti mesmo”. O passado e o futuro são plásticos e podem ser modelados pela memória enquanto que o presente é obtuso e obstinado, o presente simplesmente é. A fidelidade é o caminho natural para a fé, suprema virtualidade transcendental, para o encontro da verdade. A fidelidade certamente não é a nota típica ou dominante na onda do relativismo pessoal, intelectual, moral ou político que está corrompendo a nossa civilização.

INTEGRIDADE
Ser íntegro é possuir princípios firmes; é ter a qualidade de possuir e aderir firmemente a princípios ou a padrões profissionais de elevada moral; é ser completo e não dividido; é ter o sentimento de totalidade, de ser sadio e inteiro.
Ser íntegro é ser inteiro. Ou seja, é não estar dividido internamente. A divisão gera tensão e instabilidade emocional. Sem integridade não há paz interior. E mais, a integridade é o fundamento da autenticidade. Significa pensar, dizer e fazer uma só coisa. Significa coerência nos três planos. Coerência entre pensamentos, atos e palavras.
A integridade é o estágio final do desenvolvimento psicossocial do indivíduo e resulta de uma autodisciplina, da verdade interior e da decisão inabalável de ser honesto nas nossas respostas em todas as situações da vida.
O turbilhão interior se desfaz e estamos em paz interior quando optamos por viver vidas plenas de verdade. É na paz que encontramos todas as verdades. Todas as escolhas e decisões são muito mais fáceis quando nos comprometemos em viver com total honestidade.
O fato de desenvolvermos valores permanentes é fundamental para nos ancorar, para nos dar estabilidade emocional e psíquica.
Cuide da sua integridade, ela é parte permanente de você. É um componente importante da autoestima e da autoimagem. A integridade dos pais é o fundamento do respeito dos filhos. A integridade no casamento assegura o mais profundo sentido de confiança e de comprometimento, o solo perfeito para o crescimento do amor. A integridade no relacionamento entre amigos assegura uma condição que é essencial para a vida. A integridade no trabalho assegura o respeito permanente. A despeito de grande tentação, tente não se desfazer da sua integridade. A perda da integridade leva à vergonha, ao desgaste do espírito, mais do que à culpa.


Pode ser entendida como crença ou confiança, a crença em, a devoção a, a confiança em alguém ou em alguma coisa, especialmente sem prova lógica; como religião ou grupo religioso, é um sistema de crença religiosa ou um grupo de pessoa que se liga a ela; como confiança em Deus, é a crença na devoção a Deus; como um conjunto de crenças, é um forte escudo de crenças ou princípios; como lealdade, é a fidelidade ou lealdade a alguém ou a alguma coisa.
A fé é uma atitude inteira do ser que inclui tanto a vontade quanto o intelecto, dirigida a uma pessoa, a uma ideia ou, no caso de uma fé religiosa, a um ser divino.
Os teólogos modernos enfatizam o caráter total e existencial da fé e fazem uma distinção da concepção popular que a identifica como crença, em oposição a conhecimento. A fé inclui a crença, mas vai muito além dela.
A descrição mais clara do que é a fé, contida no Novo Testamento, está em Hebreus 11:1 em que a fé é proclamada como sendo o firme fundamento “das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem”. Aqui, a palavra fé denota o ato de confiar, de acreditar. O Novo Testamento amplia o antigo conceito hebraico da fé como a qualidade de estabilidade e de confiança em que se assenta a relação entre dois seres viventes. No Novo Testamento, a fé está no centro da relação do crente com Jesus Cristo, mas vai além no conceito de “acreditar em” ou de “acreditar que”.
Nem todos os cristãos acreditam que as exigências da fé são compatíveis com as da razão. São Paulo e o teólogo Tertuliano insistiram em que a fé parece tola aos olhos daqueles que não se abriram para a Graça de Deus. Nessa linha, o filósofo dinamarquês Kierkgaard identificou um abismo que separa a razão da fé e afirma que aquele que se propõe ser uma pessoa que crê, deve dar o “salto da fé” por sobre o abismo para obter a salvação. Abraão, ao se dispor a sacrificar o seu filho, dá o “salto da fé”, que o leva de uma atitude ética para uma atitude religiosa. Obedece a ordem de Deus sem a entender e não procura as suas razões, aceitando-a cegamente porque tem fé. De um modo geral, os teólogos modernos enfatizam, como Kierkgaard, o aspecto subjetivo e individualista da fé e se concentram no risco e no esforço moral dos que tentam levar uma vida na fé, mais do que na aceitação das crenças como uma expressão de fé.
Uma pequena história pode servir para entender o que é a fé. Certa vez, chegou a uma cidade um equilibrista que se propunha a, caminhando sobre um cabo de aço, atravessar do alto de um edifício para outro, passando por cima de uma rua. No dia e hora marcados, uma multidão se reuniu no entorno de onde ia acontecer o espetáculo. Estendido o cabo, o equilibrista, usando um bastão, mostrou toda a sua habilidade ao atravessar por cima da multidão, indo de um edifício ao outro. O povo aplaudiu e ele então se propôs a atravessar de volta mas só que sem o uso do bastão. Isso foi anunciado ao povo, que ficou perplexo pois era uma temeridade, uma morte quase certa. Mas o equilibrista atravessou perfeitamente e sem nenhuma hesitação. Era um equilibrista exímio, extremamente bem dotado, um campeão que se mostrava com toda a sua segurança para o imenso público. Então, um anunciante, usando um aparelho de som, disse que o equilibrista iria passar, novamente, de um lado para o outro levando um carrinho de mão por sobre o fio e perguntou ao povo se eles achavam que ele conseguiria. O povo se manifestou dizendo que sim, tendo em vista a fantástica habilidade demonstrada até então. O anunciante perguntou se o povo tinha certeza e o povo gritou que sim. Aí ele perguntou novamente se o povo tinha realmente certeza e o povo gritou outra vez mais que sim. Então o anunciante pediu que, diante de tanta certeza, que um voluntário subisse para entrar no carrinho de mão que seria levado sobre o cabo de aço. Ter fé é entrar no carrinho.

A REALIDADE DOS NOSSOS DIAS
Vivemos num mundo que nos induz a duvidar. Recebemos diariamente uma grande quantidade de informações e acabamos por adotar uma atitude, saudavelmente cética, que nos leva a indagar sobre onde querem nos levar e sobre o que ganham as pessoas que participam deste contexto. Mas não podemos duvidar de tudo. As pessoas precisam acreditar em alguma coisa, mesmo que improvável, e é por isso que os cultos e as causas sociais são abundantes nos dias de hoje. Deste modo, a fé também é abundante num mundo de corrupção e de cinismos espalhados por toda parte. Isso porque a fé é uma afirmação do valor humano e por esta razão é saudável, sendo felizes os que têm uma sólida fé e um bom julgamento.
A fé não é alguma coisa que se mostra dentro de um modelo de certo ou errado, como uma aposta. É um ato, uma intenção, um projeto. A fé é algo que faz saltar para o futuro, avançar, que lança para muito além do tempo em direção à eternidade, que não é o fim dos tempos ou um tempo imenso e infinito, mas sim o eterno.
É surpreendente que algumas pessoas consigam viver o dia de hoje sem se preocupar com o futuro ou lamentar o passado entendendo que esses são dois dias sobre os quais não podem fazer nada: o amanhã e o ontem. A maior parte das pessoas gosta de fantasiar sobre esses dois dias. Aí, pensam o que teria acontecido se Napoleão tivesse morrido de pneumonia quando criança ou viajam numa imaginaria máquina do tempo em direção ao futuro. Mas isso não leva a nada e é preciso acordar para o fato de que passado e futuro são invenções nossas e a única realidade é o presente. É verdade que o passado contribui para o hoje e o hoje contribui para o futuro, mas não podemos fazer nada acerca deles porque simplesmente estão fora do nosso alcance.
O que se observa, no entanto, é que os que têm uma fé vigorosa são os que são mais aptos a viver o momento presente. Viver o presente e cuidar da qualidade da vida que se leva são uma atitude de fé na própria vida. O presente é valioso e a fé nos ensina que ele é tudo o que temos.
A verdade é que somos nós que temos em mãos “os pinceis e as tintas” e podemos pintar o paraíso e ir para dentro dele. Podemos saudar o nosso dia com um sorriso de confiança e descobrir que ele contém uma grande promessa, da mesma dimensão da nossa capacidade. Podemos entender que é melhor viver com fé e sem a sensação de culpa, tendo o reino dentro de nós, reino significando ter um espírito em paz. Isso a partir da simples constatação de que quando estamos felizes, nos sentimos abençoados. No entanto, duvidamos de que seja possível viver assim, com esperança e alegria e, sobretudo, sem arrependimento, sem medos, sem culpa na consciência. Mas, quando aprendemos a nos amar e a nos aceitar porque somos bons, aquele reino se torna nosso. A fé com que vivemos é pacífica, cheia de esperança, e tem origem na bondade do nosso espírito.

Kierkegaard

Tido como o fundador do moderno existencialismo, reagiu contra o idealismo absoluto de Hegel que dizia ter desenvolvido um entendimento racional total da humanidade e da história. Kierkegaard enfatizou a ambiguidade e o absurdo da situação humana. A resposta a isso consiste em viver inteiramente devotado à vida e este comprometimento só pode ser entendido por quem fez a opção. O indivíduo deve sempre estar preparado para desafiar as normas da sociedade, para ter a mais alta autoridade de uma maneira pessoalmente válida da vida. Defendia o “salto da fé” para uma vida cristã que, embora incompreensível e cheia de risco, era o único compromisso que ele acreditava poder salvar o indivíduo do desespero.

Conclusão

O conhecimento da verdade, a prática da fidelidade e a construção de uma personalidade íntegra, são os fundamentos para o desenvolvimento de um núcleo de valores interiores e de crenças, estável e imutável, que é o alicerce da fé. Esse núcleo é de importância fundamental para nossa existência porque vivemos num mundo de mudanças explosivas que se constituem em solo fértil para o aparecimento da incerteza, da insegurança e da ansiedade.
Os seres humanos precisam acreditar e, por isso, são muitos os cultos religiosos e as causas sociais. Ter fé é saudável e se constitui numa afirmação de valor, ao mesmo tempo em que oferece a sensação de continuidade.
Em A.A., muito da alegria e da felicidade que as faces expressam está em viver neste mundo com fé e sem a sensação de culpa.
Com a fé vem, naturalmente, a crença em si mesmo, indispensável para realizar alguma coisa, para construir uma boa autoimagem e para viver uma sólida autoconfiança. Devemos estar mais atentos para o que somos do que para a quantidade do que fazemos.
O círculo se completa com o fato de que, tendo fé, melhor se pode identificar a verdade, fidelidade, integridade e fé são valores espirituais. Com eles aumenta o nosso nível de consciência e cresce a nossa humanidade.

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