UMA DOENÇA CHAMADA ALCOOLISMO

O alcoolismo ou Síndrome de Dependência do Álcool é hoje uma das doenças com consequências físicas e sociais mais danosas, catalogada tanto pela Associação Médica dos Estados Unidos quanto pela Organização Mundial de Saúde.

A doença alcoolismo afeta o físico, o emocional, o espiritual, assim como a família, amigos, o lado social, financeiro, o profissional, ou seja, afeta tudo. O alcoolismo é responsável também pelo elevado número de homicídios, suicídios, acidentes de trabalho, de trânsito e um dos campeões em internações e reinternações em clínicas e hospitais. É uma doença pouco divulgada que precisa ser tratada, porém há um empecilho: de um modo geral a própria pessoa e a família, por preconceito e vergonha, procuram esconder e não buscam auxílio. As pessoas em geral relacionam o alcoolismo apenas àqueles que bebem compulsivamente todos os dias e em grande quantidade, caindo pelas ruas.

Esta imagem até pode ser real, mas é insuficiente para dar conta da extensão da doença, pois a quantidade e a frequência nem sempre são fatores exclusivos para seu diagnóstico.

Há aqueles que dizem beber apenas socialmente, mas já são portadores da doença, pois são dependentes, muitas vezes sem o saberem. A principal característica do alcoolismo é que está associado a uma sucessão de perdas. O alcoólico perde o controle sobre sua vontade, depois o respeito pelos outros, a memória, o raciocínio abstrato, a capacidade de concentração, o trabalho e a família. Muitos chegam a perder-se a si mesmo, quando não a própria vida, seja em acidentes, doenças, assassinatos ou suicídios. Os alcoólicos arrumam os mais diversos pretextos para o primeiro gole, depois para o segundo e assim por diante, como ressentimentos, raiva, ciúme, cansaço, etc. Alegam que bebem para esquecer ou para adquirir coragem para expressar sentimentos que não conseguem quando sóbrios. De fato, no início, o álcool parece dar a sensação de ‘poder’ para quem o ingere, mas o preço disso é a rejeição pela sociedade e por si próprio. Embora todas as causas do alcoolismo ainda não tenham sido descobertas, acredita-se que um dos fatores seja a hereditariedade, ou seja, os filhos de pais alcoólicos têm mais predisposição a desenvolver a doença. Evidentemente, é preciso prestar atenção às causas da dependência física ao álcool, mas também é importante levar em conta as necessidades psicológicas que levam a pessoa a refugiar-se na inconsciência de seus efeitos. Na maior parte dos casos, a doença é contraída durante a adolescência, fase em que se busca aprovação e maior segurança, como uma forma de defesa para sentir-se aceita pelo seu grupo social. Os alcoólicos de um modo geral começam a beber para se sentirem mais seguros ou engraçados entre os amigos. Em nossa cultura, tomar uma dose é uma prática associada a alguma comemoração, a momentos bons ou divertidos, e por isso, atrai em especial os adolescentes. Com o passar do tempo tudo passa a ser motivo para beber: bons ou maus momentos, festas de reencontro ou de despedidas. O alcoólico julga usar o álcool para resolver seus problemas, sem se dar conta de que multiplica seus desconfortos físicos e emocionais e passa a depender do álcool para tudo, até para esquecer que é dependente. O álcool é usado muitas vezes e inconscientemente para fugir ou suportar uma realidade. De um aliado nas situações de crise, transforma-se em algoz do dependente e a pessoa que, no início achava que se tornava forte, descobre-se absolutamente fragilizada e merecedora do desrespeito alheio. Por isso, em certo estágio avançado, o álcool passa a ser considerado como uma forma de autopunição e autodestruição. Não existem tratamentos capazes de erradicar totalmente a doença, ou seja, ninguém deixa de ser alcoólico, mas é possível, contudo, que o doente evite o álcool, interrompendo a sucessão de perdas e recuperando as condições mínimas de convívio familiar, social e profissional. Para isso, é preciso tomar uma decisão nem sempre fácil, decorrente de um processo de conscientização. A decisão é evitar o primeiro gole, seja em que situação for. Para chegar a isso, o alcoólico precisa adquirir consciência dos males que provoca a pessoas com quem convive e perceber principalmente os males que causa a si próprio. O álcool não compromete apenas aquele que bebe, mas também os que convivem à sua volta. A primeira condição para libertar-se das conseqüências do alcoolismo é desejar parar de beber, podendo procurar auxílio num Grupo de Alcoólicos Anônimos – A.A., em que alcoólicos encorajam-se uns aos outros se manterem sóbrios. O único requisito para se tornar membro da Irmandade de Alcoólicos Anônimos é o desejo de libertar-se da dependência, evitando o primeiro gole. Se a bebida estiver atrapalhando sua vida, não sinta vergonha: procure ajuda. Mais vergonhoso que procurar ajuda é ser dependente de um produto químico e usá-lo para ferir as pessoas que lhe são mais caras, em especial: VOCÊ!

Alcoólicos Anônimos há quase oitenta anos vêm recuperando alcoólicos em mais de 180 países. No Brasil há por volta de 6.000 Grupos de A.A. Em Campinas há 15 Grupos e, com certeza um perto da sua casa.

Se você precisa de ajuda ou tem um familiar, um amigo, um vizinho com características de alcoólico, tenha certeza: ele (a) está sofrendo! Como ajudá-lo (a)? Faça uma visita ao Escritório de A.A. para conhecer o Programa de Recuperação de A.A. e caso você não seja alcoólico poderá salvar uma vida contando ao seu amigo (a) que você conheceu um lugar onde as pessoas falam de alcoolismo, mas não bebem e acima de tudo: você viu como são felizes!

Escritório: Rua Proença 737 – Bosque – contato: (19) 3234-8088 – aacampinas@ig.com.br  – www.alcoolicosanonimos.org.br

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