POR QUAL RAZÃO NÓS FOMOS OS ESCOLHIDOS?

DEUS, em sua infinita sabedoria selecionou um grupo de homens e mulheres para serem os mensageiros deste milagre: – levar Alcoólicos Anônimos aos que sofrem!

Não se dirigiu ao orgulhoso, ao famoso ou ao afortunado e sim aos bêbados, chamados a vergonha do mundo e disse:

– “Entre suas mãos fracas e trêmulas depositarei uma Virtude que vai muito além da amizade. A você foi dado o que foi negado aos mais cultos, aos cientistas, às esposas ou às mães, sacerdotes ou pastores.

Este dom de recuperar alcoólicos foi concedido a você e deve ser usado desinteressadamente, com tolerância, porque não limitei a sua aplicação a nenhuma raça, credo religioso ou condição social.

Você não foi escolhido pelo seu talento excepcional, portanto seja prudente sempre que o triunfo acompanhar seus esforços.

Talvez os homens cultos, físicos, cientistas, mais eloquentes que você realizassem melhor esta missão, mas você foi escolhido porque fora desprezado pelo mundo e a sua longa experiência como bêbado, o fez, ou pelo menos deveria tê-lo feito humilde, compreensivo e alerta aos gritos de angústia que veem dos corações solitários de alcoólicos de todas as partes.

Guarda sempre em sua mente aquele dia em que entrou pela primeira vez em Alcoólicos Anônimos disposto a abraçar o seu programa de vida, um programa  poderoso pela Minha graça e oferecido a  você quando demonstrou vontade de modificar sua vida sob Minha orientação.”

Esta é a razão pela qual NÓS FOMOS OS ESCOLHIDOS.

 

1) Eu me chamo Alessandra, sou uma alcoólica adicta em recuperação. Tenho 37 anos e estou há 11 anos em recuperação de álcool e droga e há um ano sem tabaco portanto, estou limpa de toda droga. Adorei seu site e o que precisar de minha ajuda pode contar comigo.

Afinal nossas histórias são muito parecidas, só muda o personagem. Só Por Hoje e sempre continuo indo às reuniões para que eu possa sempre agradecer; para não perder esta vida maravilhosa que tenho hoje livre da angústia e da obsessão do álcool, das drogas e do tabaco. Obrigada (Alê)

2) Todos diziam que eu era muito jovem para parar de beber! Quando terminei o segundo grau, aos 17 anos, minha imagem era a de “filha-modelo”, e demonstrei isso ao ganhar uma bolsa de estudos de quatro anos para a faculdade.

De início eu bebia apenas em festinhas e nos fins de semana. Fui eleita para vários cargos estudantis. Só que, em virtude de notas baixas e por ter sido vista bebendo durante uma excursão da faculdade, acabei perdendo o respeito de todos. Ao terminar meu primeiro ano, perdi também a minha bolsa de estudos.

Quando completei 18 anos, meus pais acharam que eu precisava de férias. Eu e meu pai tínhamos nos desentendido por causa das bebedeiras dele e de meu noivado com um rapaz de uma turma que andava de jaqueta de couro preta.

Então, para restabelecer a paz em casa, fui para um hotel-fazenda. Ali, à beira da piscina, comecei a beber diariamente em companhia de outros estudantes em férias. Neste ambiente, beber todos os dias, das 10 horas da manhã até à noite, parecia-me simplesmente “beber socialmente”.

Voltei para casa a contragosto, com medo de que este novo modo de beber precisasse ter fim. Obrigaram-me a voltar para a escola e decidi reagir com “maturidade”, dando um jeito para ser reprovada.

Neste segundo ano de faculdade a bebida tomou conta da minha vida. Se bebesse antes e ir para a aula, sentia-me embaraçada e com vergonha. Mas, depois de algum tempo convivendo com esses temores, comecei a beber para conseguir ir às aulas, arrumar namorados, ir a alguns jogos e festas.

Não ficava mais rodando pelo campus e por isso  juntei-me a um grupo de hippies. Eu não queria mais estar perto de meus amigos antigos. Os sentimentos de culpa e de vergonha não me deixavam à vontade com eles. Nem com os hippies consegui me integrar. Com um grupo ou outro sentia-me uma estranha.

No final de meu segundo ano de facu1dade, aos 19 anos, consegui meu objetivo: fui reprovada.

Certa ocasião fui visitar o Al-Ateen (para filhos adolescentes de alcoólicos) pois o alcoolismo era problema de meu pai, eu pensava.

Depois comecei a ficar preocupada porque passei a me identificar mais com os AAs. do que com o Al-Ateen. Então deixei de ir.

Na noite do Ano Novo realmente notei como eu bebia. Para poder atingir aquele nível de autoconfiança, para me libertar de minha solidão, de meus medos e sentimento de culpa, eu bebia depressa e em grandes goles. Quando atingia esse nível, não podia mais parar de beber.

No outro dia, fui a uma reunião aberta de A.A. onde ouvi uma mulher contar a sua história de como ingeria a bebida alcoó1ica quando mocinha.

Para mim aquilo soava familiar. Ta1vez eu pudesse me tornar uma alcoó1ica, pensei. Ta1vez já fosse!

Foi assim que entrei para Alcoólicos Anônimos. Mas, aos 19 anos, era “muito jovem”. Dizia para mim mesma e para os outros: “Não posso ter a1egria sem álcool. A vida está passando por mim. Estou perdida”.

Voltei a beber – e voltei para A.A.

Novamente pensei que era muito jovem; procurei outros membros de A.A. que concordavam comigo – e voltei a beber.

O medo, o isolamento, a culpa, o remorso e o desespero cresciam à medida que meu alcoo1ismo progredia. Ainda assim retomei a faculdade.

Certo final de semana, marquei encontro com um namorado em outra universidade, a fim de assistirmos aos jogos e comemorações de final de ano.

Saí cedo do dormitório para escapar das outras moças e conseguir bebida. Voltei em cima da hora marcada com meu namorado. Levei-o para tomar umas e, quando chegou a hora de ir aos jogos, convenci-o a ficar bebendo comigo. Depois eu me “apaguei” e não me lembrava de ter assinado o registro de entrada no a1ojamento.

O pânico tomou conta de mim no dia seguinte. Mas os bons amigos que estavam comigo me asseguraram que eu não havia feito nada embaraçoso.

Mesmo assim, sentia-me doente, de ressaca, cheia de ódio e com nojo de mim mesma. Quando me vestia, não me suportava o1har no espe1ho. Meu orgulho tinha sido atingido. Era minha primeira ressaca e meu segundo apagamento.

Lá se iam as duas desculpas que eu usava para me convencer de que não era alcoólica. Fiquei durante aquele dia todo dizendo a mim mesma: “Nunca mais vou beber de novo”. Então eu pensava:- “Bem, isso é o que aquelas pessoas de A.A. diziam quando as coisas pioravam para elas”.

Naquela noite peguei um ônibus para casa. Cheguei a tempo de assistir a uma reunião de A.A. Eu queria mudar meu modo de vida. Não desejava ser uma ateísta dependente de bebida. Desejava me libertar do medo, do isolamento e da necessidade de viver fingindo. Eu queria autoconfiança.

Desta vez acreditei nos membros de A.A. quando disseram que a autoconfiança viria com a sobriedade.

Desta vez tive uma nova atitude: “Se outros pensarem que ainda sou muito jovem, isto é problema deles. Eu pretendo ficar”.

Esta mudança em minha vida começou uma semana antes dos meus 21 anos. Retornei à faculdade e com um ano no programa de Alcoólicos Anônimos fui eleita novamente representante de meus colegas. (C.)

3) Com a sobriedade algo novo entrou em minha vida!

Estava espiritualmente arruinada muito antes de Alcoólicos Anônimos entrar em minha vida e muito antes que o alcoolismo penetrasse, como um parasita, sob a minha pele.

Não tinha nada, nenhuma fé à qual me agarrar. Não tinha fé nos homens porque, juntamente com a bebida, havia perdido a fé em mim mesma. Não confiava em ninguém, porque os outros não passavam de meros reflexos de mim mesma e eu não podia confiar em mim.

Fiquei sóbria em A.A. e, como por milagre, o cálido fluxo da realidade, que temera durante tanto tempo, inundou-me e não tive mais medo.

Comecei a imaginar o porquê. Juntamente com a sobriedade, alguma coisa nova entrara em minha vida. Comecei a me preocupar pelos outros. Esta palavra, “preocupação”, juntamente com sua irmã “consideração”, eram estranhas para mim.

Havia acreditado que era capaz de me apaixonar; havia me considerado uma mãe carinhosa, mas estas emoções, percebo agora, haviam sido reflexos do meu interesse em mim mesma. Nada penetrava para além do meu eu.

No início da sobriedade, comecei a sentir compaixão pelos outros bêbados; depois pelos meus filhos e então pelo meu ex-marido.

Esta compaixão, um sentimento acompanhado mais tarde pelo amor, abriu a porta de uma maciça fortaleza dentro de mim, que estivera trancada. Agora havia alguma coisa criando raízes. Comecei a “sentir” pelos outros, a ser capaz de e por momentos muito breves me colocar no lugar dos outros.

Novos mundos se abriram. Comecei a entender o mundo a minha volta. Eu não era o centro do Universo.

Comecei a observar meus filhos. Eram pessoas pequeninas e importantes. Percebi que nunca os havia tratado, enquanto estava bebendo, como algo mais do que pequenas máquinas que eu houvesse criado como se tivesse juntado partes de um brinquedo e ficasse orgulhosa com isso. Vi-os começar a florescer, à medida que os tratava de outra forma.

Estendi a mão para ajudar alguém, às vezes apenas ouvindo e senti um estranho contentamento por ser capaz de ajudar – uma incrível descoberta para mim! Desenvolvi minha própria versão do que é espiritualidade. Espiritualidade não significa que tenho que ser como os santos! Significa que devo me preocupar com o meu próximo. Somente desta forma é que poderei receber a graça de Deus, meu Poder Superior!

Não preciso procurar nada além dos Doze Passos e do poderoso enunciado da Oração da Serenidade, “aceitar as coisas que não podemos modificar”.

Minha resposta pessoal está ali, na palavra “aceitar”.

Aceitar o lugar do homem no plano universal. Aceitar minha vida como uma partícula ínfima do todo.

Nenhum de nós pode sequer sondar as glórias e as regiões desconhecidas do Universo, mas podemos viver na Terra amando uns aos outros. Com as ferramentas de Alcoólicos Anônimos podemos aprender um pouco a respeito desta dádiva preciosa que é nossa entrada para a espiritualidade humana. (Anônima)

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