O TERAPÊUTICO NOS GRUPOS DE AUTO AJUDA E SEUS DOZE PASSOS

Publicado em 19 de July de 2013 por Fernanda Hauser

INTRODUÇÃO

O presente artigo tem como objetivo caracterizar a discriminar os tipos de terapia de grupo, usando de revisão bibliográfica, para aprofundar o estudo especificamente nos grupos de autoajuda ou ajuda mútua. Esses grupos sofrem muito preconceito por parte dos profissionais da área da saúde, se acredita que o motivo seja a falta de um profissional da área coordenando o grupo.

Nos grupos de autoajuda há uma liderança, mas não um terapeuta, já nos grupos de suporte há postura ativa do terapeuta, enquanto nos grupos terapêuticos o terapeuta tem postura neutra. Os grupos de autoajuda e os de apoio/suporte são formados por pessoas com os mesmos problemas (demanda), ou seja, são grupos homogêneos, enquanto os grupos terapêuticos são heterogêneos.

Acreditamos que todas as formas de terapia grupal contribuem de alguma forma para lidar e trabalhar com os problemas/doenças do sujeito. Nos interessamos e explanaremos sobre o grupo de auto ajuda por ser um grupo focal e homogêneo, de grande divulgação mas que poucos conhecem seu funcionamento interno.

PSICOTERAPIA DE GRUPO

Este modelo de atuação terapêutica surgiu após a Segunda Guerra Mundial quando o psicossociólogo americano Kurt Lewin trabalhou um grupo de pessoas com fins terapêuticos. Acreditou que os indivíduos sentem uma ação de efeitos terapêuticos ao ouvir outras pessoas a falar dos seus problemas e de como eles podem ser resolvidos (INFOPÉDIA, 2003).

Freud nos trabalhos de 1910 já relatava que “… o êxito que a terapia passa a ter no indivíduo haverá de obtê-la na coletividade.” Já em seus trabalhos de 1921, Freud pronuncia a clássica afirmativa de que “a psicologia individual e a social não diferem em sua essência”.  Já as contribuições de Bion para com os grupos são imensas e extensas, mas vale ressaltar os supostos básicos muito presentes na dinâmica grupal: dependência, luta-fuga e acasalamento (ZIMERMAN & OSORIO, 1997).

A psicoterapia de grupo é a aplicação das técnicas psicoterapêuticas aplicadas a um grupo de pacientes, onde existem interações paciente-paciente, e em alguns casos, paciente-terapeuta também. Essas interações no setting grupal favorecem a mudança nos comportamentos mal adaptados de cada um dos membros do grupo (VINOGRADOV & YALOM, 1992).

GRUPOS DE AUTO-AJUDA

Inicialmente, é interessante destacar que, de acordo com o processo básico de funcionamento dos grupos de autoajuda, a denominação mais adequada é a de “ajuda mútua”, pois são grupos de autoajuda na medida em que mantém total autonomia em relação a profissionais e ajudas financeiras vindas do exterior do grupo e são grupos de ajuda mútua por se baseiam na reciprocidade (SANCHEZ, 1991).

Os primeiros grupos de autoajuda surgiram na Inglaterra, no final do século XIX, mas foi na década de 1930 que a prática de juntar forças em torno de um problema comum ganhou fôlego, com a fundação dos Alcoólicos Anônimos (AA) nos Estados Unidos (Ban, 2002). O sucesso no desenvolvimento de grupos de autoajuda se deve à importância que a sociedade norte-americana atribui às iniciativas da sociedade civil, estimulando que as pessoas se responsabilizem por sua cidadania (Sanchez, 1991). Também em 1930, Moreno introduziu a expressão “terapia de grupo” (ZIMERMAN & OSORIO, 1997).

Desde os primórdios, os grupos de autoajuda funcionam de uma forma simples, porém poderosa: pessoas em comum, dividindo problemas em comum, aprendendo uns com os outros sem se utilizar de profissionais. O retrato clássico desses grupos é o A.A. (Kaplan & Sadock, 1996). A criação do programa dos 12 passos, que inspirou todos os outros grupos de autoajuda que vieram a seguir, tem origem na tradição protestante, pois se utiliza do reconhecimento da pecaminosidade, do modelo confessional e a busca pela pureza espiritual (DUMONT, 1974).

Foi o grupo de Alcoolistas Anônimos que estabeleceu os parâmetros de formação de que todos os outros grupos de ajuda mútua levassem a palavra “anônimos” no nome. Todos baseados em 12 passos, o primeiro e talvez o mais importante deles, seja admitir que possuam um problema. A estrutura proposta pelo A.A. foi adaptada para as mais diferentes causas e hoje serve a quem tem compulsão por comida, envolve-se em relações destrutivas ou é muito tímido, entre outras vertentes (BAN, 2002).

Os grupos de autoajuda são formados no setting leigo, com um único problema em pauta (focal) e não possuem terapeutas, apenas uma liderança ativa que pode mudar a qualquer momento (Vinogradov & Yalom, 1992). São baseados em sete critérios: apoio mútuo, a liderança vem de dentro do grupo, só faz referência a um único evento desestruturador da vida, a participação é voluntária, não tem fins lucrativos, têm como objetivo o crescimento pessoal dos integrantes do grupo e caráter anônimo e confidencial. Os oito princípios básicos em comum nesses grupos de ajuda mútua são: a experiência compartilhada, educação, autogestão, aceitação da responsabilidade por si própria, único objetivo, participação voluntária, concordância na mudança pessoal, anonimato e confidência (ROOTES & AANES, 1992).

Compartilhar experiências em comum proporciona aos participantes uma energia que pode ser usada para enfrentar as exigências da vida, dando força para recuperação e re-socialização. Existem três hipóteses para compreender o funcionamento dos grupos de autoajuda: homogeneidade, modelização e confrontação. Na homogeneidade o que acontece é a coesão grupal, onde, por mecanismos de identificação, surgem alianças fraternais e ação transformadora. Com a modelização, quanto maior for o compromisso grupal com os paradigmas e as propostas de mudança, maior a eficácia da autoajuda. Esses duas hipóteses caracterizam o funcionamento das três ancas: “a partir da semelhança se gera a esperança e aumento da confiança dos indivíduos em suas próprias capacidades.”. Já a hipótese da confrontação consiste na necessidade dos membros de pôr a prova, de confrontar sua subjetividade. Quanto maior a confrontação, maior a possibilidade de condutas saudáveis entre os membros do grupo de autoajuda (ZUKERFELD, 1992).

A formação dos grupos de autoajuda podem ser do tipo “espontâneo” ou “incentivado”, no último caso, por um profissional da área da saúde ou técnico com liderança transitória ou eventual (Zimerman, 1993). Esses grupos têm em comum a coesão grupal e uma linguagem informal, mas bastante característica. Usam de “jargão” como: “só por hoje”. Os grupos têm caráter adaptativo e não resolutivos (ZIMERMAN & OSORIO, 1997).

Existe nos grupos de autoajuda o apadrinhamento. Ele acontece quando entram novos membros, e eles escolhem um padrinho, normalmente um dos membros mais antigos, que serve como líder extraoficial. Aquelas que participam mais ativamente e a experimentam maior coesão, tem maior probabilidade de se beneficiar mais (YALOM &LESZCZ, 2006).

O número dos grupos de autoajuda vem crescendo de maneira considerável nos últimos anos, como resultado do chamado “movimento de valorização da pessoa” (In Boker, Frank & Northoman). Esses grupos também têm sido cada vez mais reconhecidos como mais um recurso viável e eficaz para a saúde. O aumento no número desses grupos nos últimos anos tem legitimado a necessidade destes, devido à sua eficácia em ajudar seus membros a conseguir maiores níveis de bem-estar e de recuperação (Kyrouz & Humphrey, 1997). Por serem de caráter anônimo e não manterem registros é o relato dos participantes de grupos de autoajuda que serve de guia para essas afirmações (YALOM & LESZCZ, 2006).

A “evolução” dos grupos de autoajuda é uma novidade, ocorre nos encontros via internet. Os grupos têm salas de bate papo particulares e não tem horário para ocorrer, é a ajuda mútua 24hs por dia, 7 dias por semana (YALOM & LESZCZ, 2006).

A.A. – Alcoólicos Anônimos

Os grupos de Alcoólicos Anônimos nasceram em 1935, na cidade de Akron, em Ohio nos Estados Unidos. Criados por Bill W e Dr. Bob, os dois sendo dependentes do álcool, vinham de um grupo em comum. Massó Bill havia conseguido se manter sóbrio. O Dr. Bill falava que o alcoolismo tratava-se de uma doença “da mente”. Das emoções e “do corpo”. A partir daí os dois doutores resolveram trabalhar com os alcoólicos de um hospital na cidade de Akron, sendo assim tiveram sucesso com um paciente, e foi onde resolveram abrir o A.A. (RODRIGUES & ALMEIDA, 2002).

No ano de 1939 é publicado o livro “Alcoólicos Anônimos”, considerada uma obra muito importante para a instituição, pois é baseado nele que é desenvolvido todo o trabalho do AA. Neste livro estão descritos os “dozes passos”, que são os princípios básicos de todo o processo de recuperação. O A.A. possui núcleos em todo mundo, auxiliando dependentes e seus familiares a terem uma vida saudável e feliz. Cada dia sem álcool é uma conquista do dependente e um alívio para os familiares que sofrem as consequências deste vício (RODRIGUES & ALMEIDA, 2002).

A terapia do A.A. faz com que o paciente entenda que fazer uso de sua liberdade, é poder dizer não a bebida, por mais este dia, diga não ao vicio. O A.A. enfatiza que o sujeito tem o poder discernir o que é positivo ou negativo para si (Rodrigues & Almeida, 2002).

As práticas e estratégias reforçam a necessidade do indivíduo assumir a responsabilidade de sua vida, usando a liberdade de escolha e reparando os males produzidos a outrem, fazer um projeto de não beber nas próximas 24 horas, admitir seus erros usando a escolha pela sobriedade (RODRIGUES & ALMEIDA, 2002).

A dependência e o uso sem limites do álcool, dentre as pesquisas feitas pelos especialistas da saúde, tem se destacado como umas das patologias psiquiátricas, mais apresentada pela população.  Estudos e pesquisas feitos entre a população revelam que uma boa porcentagem já consumiu álcool alguma vez na sua vida, outra parte e usuário frequente, dentre estas os homens abusam mais que as mulheres. Muitos destes dependentes em algum momento de suas vidas já tiveram episódios tristes relacionados ao consumo de álcool, como por exemplo, desentendimento familiar, falta ao trabalho ou acidentes de carros.

Os serviços de saúde atestam que a maioria dos pacientes que procuram seus serviços tem patologias decorrentes do uso abusivo ou da dependência do álcool. Sendo assim podemos afirmar que o abuso do álcool é sem sombra de dúvidas de grande importância clinica, e que se apresenta como um problema de saúde publica. Preocupados com o fato dos inúmeros dependentes, para reduzir o numero de pessoas em situação de risco, são planejadas estratégias, como campanhas de prevenção, que tem como objetivo atacar o problema no inicio, técnicas e tratamentos que irão agir em quem já tem a patologia (RODRIGUES & ALMEIDA, 2002).

M.A.D.A – Mulheres que Amam Demais Anônimas

O grupo de autoajuda MADA – Mulheres que Amam Demais Anônimas , foi criado baseado no livro Mulheres que Amam Demais, da autora Robin Norwood,. Ela se considera uma mulher que amou demais a maior parte do tempo e diz ter escrito com a finalidade de ajudar as pessoas, com sentimentos destrutivos a reconhecer o que acontece com elas, entender a origem de seus sentimentos e obter os instrumentos para modificar suas vidas (NORWOOD, 1995).

Amar demasiado não significa amar muitos homens ou se apaixonar muitas vezes, mas sim a obsessão que se é dirigida a eles, e que passa a ser definida como amor, e mesmo percebendo que tal sentimento influencie negativamente sua saúde, ainda assim permitir que ele controle suas emoções e boa parte do seu comportamento. Afirma ainda que as mulheres que apresentam este mesmo perfil, se interessam e se tornam dependentes de relacionamentos condenados por homens que por um motivo ou por outro são nãoacessíveis emocionalmente (NORWOD, 1995).

O MADA é formado por mulheres que sofrem por algo em comum: a dependência autodestrutiva dos mais variados tipos de relacionamentos, que são incapazes de vivenciar relacionamentos amorosos saudáveis. Elas sabem que estão em sofrimento, porém sentem que necessitam desta condição de instabilidade emocional e atribuem ela ao amor que elas nutrem por outra pessoa para serem felizes (SITE MADA). O grupo serve como um programa para a recuperação de mulheres que são afetadas de maneira negativa com tal dependência amorosa e que procuram amar sem dor, se relacionando de maneira saudável consigo e com o próximo. Durante as reuniões, as mulheres podem dar seus testemunhos e compartilhar seus sentimentos, já que as situações se assemelham, são vistas como se fossem espelhos, e não podem ser julgadas, assim como não se pode ser aconselhadas (DIAS, 2008).

No MADA há sempre um jogo de poder presente, onde a mulher ao admitir que sente o desejo de possuir o outro como ser individual, também se percebe como ser individual, e aos poucos substitui este desejo pelo de posse de si mesma, na medida em que o controle de si é considerado a chave para se poder viver em sociedade com equilíbrio e harmonia. As MADAS buscam uma identidade individual de autonomia e soberania e um ideal de mulher que deseja ser independente emocional e financeiramente, equilibrada e insubordinável (SILVA, 2008).

N.A. Narcóticos Anônimos

Narcóticos Anônimos é uma associação comunitária de adictos a drogas em recuperação foi iniciado em meados de 1953, e derivou do movimento de Alcoólicos Anônimos o primeiro grupo de Narcóticos Anônimos no Brasil estabeleceu-se em 1985, no Rio de Janeiro, existem, hoje, mais de 700 reuniões semanais e cada vez mais os grupos se espalham pelo território nacional.

A base do programa de recuperação de Narcóticos Anônimos é uma série de atividades pessoais conhecidas como Doze Passos, que foram adaptadas de Alcoólicos Anônimos, são adictos em recuperação que se reúnem para ajudar uns aos outros a se manterem limpos, os membros não tem nenhuma obrigação e frequentam as reuniões quando lhes convém, o único requisito para se tornar membro de NA é “um desejo de parar de usar drogas”. A afiliação é aberta a qualquer adicto a drogas, independente do tipo de combinação de drogas.

Narcóticos Anônimos acredita que uma das chaves do seu sucesso seja o valor terapêutico de adictos trabalhando com outros adictos. Nas reuniões, cada membro partilha suas experiências pessoais com os outros membros do grupo buscando ajuda. Não existem terapeutas, o mais próximo de um conselheiro de NA é o padrinho ou madrinha, que é um membro do grupo mais experiente oferecendo ajuda a membros mais recentes.

Cada grupo administra a si próprio tendo como base a literatura de NA. Não existe estrutura de serviço hierárquica em NA, a maioria dos grupos se encontram em locais administrados por entidades públicas e organizações civis ou religiosas. As reuniões podem ser abertas, o que significa que qualquer um pode participar, ou fechadas, quando somente pessoas que estão lá para tratar de seu próprio problema com drogas podem participar, as reuniões são conduzidas por membros do NA e outros membros participam partilhando suas próprias experiências na recuperação da adicção às drogas (SITE N.A.).

RELATO DE PARTICIPAÇÃO EM GRUPO DE A.A.

É complicado avaliar a efetividade desses grupos do lado de fora, sem ser participante e tendo conhecimento apenas da parte teórica, por isso decidimos, por um dia, fazer parte de um grupo de autoajuda, o Alcoólicos Anônimos.

Atualmente atuam três grupos de Alcoólicos Anônimos (AA) na cidade de São Leopoldo. Lá ocorrem semanalmente quatro encontros, que são estes nas segundas, quartas, sextas e sábados. No dia 14/06/10 nós, estudantes de psicologia tivemos a oportunidade de observar o funcionamento interno de um destes grupos, localizado nas dependências da Igreja do Fião, localizada na Rua Jacob Wiger, 211 – Bairro Fião.

A reunião era aberta, ou seja, qualquer um poderia participar. Já na porta de entrada nos apresentamos pra um integrante do grupo, o coordenador, como estudantes de Psicologia e perguntamos se poderíamos participar da reunião. O membro de grupo pareceu bastante entusiasmado, nos convidou pra entrar, falou com os outros “companheiros”, que nos receberam muito bem e nos ofereceram chimarrão. Éramos só nós e mais seis alcoolistas, sem familiares ou visitantes.

Podemos dizer que nós não somente observamos a reunião, mas também chegamos a participar em certos momentos, como quando nos foi aberto espaço para que também déssemos nossos depoimentos, assim como os outros integrantes. Os depoimentos deles formam ainda mais interessantes do que esperávamos, uma vez que até o momento só havíamos estudado a teoria dos grupos de autoajuda, lá estávamos de certa maneira “vivenciando” a prática.

A reunião não foi alterada em sua estrutura com a nossa presença, de maneira também que participamos das orações, escutamos os depoimentos e as leituras feitas. Apesar disso, houve modificações nos depoimentos e nas vivências trazidas pelos integrantes, que alegaram querer nos “poupar” das situações mais fortes, então ao invés de dar depoimentos sobre o dia como de costume, falaram sobre a sua dependência do álcool e sua historia de vida.

O grupo é aberto, as pessoas entram e saem a hora que querem, alguns chegam atrasados, outros saem mais cedo. Durante a reunião é evidente a ligação entre eles, a maioria já se conhece há anos. Foram lidos muitos materiais informativos, como livros (inclusive do Bion), folders e a literatura do próprio grupo de A.A.

Achamos importante salientar que fomos muito bem recepcionadas pelo grupo, uma vez que este demonstrou interesse em compartilhar conosco sua história e sua luta contra o vício do alcoolismo, que é tido como doença. Foi de grande importância para o nosso aprendizado a experiência que vivenciamos, assim podendo entender melhor como os grupos de autoajuda funcionam como suporte emocional, o “espelho” onde se enxergam uns nos outros e a reciprocidade que é necessária para tal. Ficou evidenciado o porquê de se definirem como “grupo de ajuda mútua”, e como é grandioso o que eles fazem sem um profissional especializado. Conforme o depoimento de um dos integrantes do AA, se destacou algo que é muito importante para a recuperação deles: o comprometimento. E ainda depois de todo o aprendizado sobre grupo que obtivemos com a nossa visita, há a bagagem emocional que trouxemos conosco da reunião, e esta apesar de não poder ser descrita, também será levada conosco.

DISCUSSÃO

Acreditamos que o sucesso dos grupos de autoajuda consiste na troca de experiências, na identificação e na ajuda mútua e ser um grupo acessível. As hipóteses de Zukerfeld, sobre o aprendizado por homogeneidade, modelização e/ou confrontação realmente estão presentes no contexto dos grupos de autoajuda.

O fato de serem proibidas as opiniões e conselhos sobre o relato pessoal trazido nas reuniões, faz com que o integrante do grupo se sinta mais a vontade, sem medo de julgamentos ou repreensões. O anonimato também é um fator importante para os participantes do grupo, que devido a sua doença preferem manter discrição e segredo sobre seus assuntos pessoais fora do grupo.

Apesar de ser um grupo que potencializa a capacidade de administrar um problema de saúde física ou emocional, um grupo que não tem como pretensão excluir uma doença e sim aceitá-la, não há como negar a eficácia em seu objetivo. Além disso, o caráter de responsabilidade individual, onde cada um é responsável pelo seu sucesso ou fracasso, pode ser um peso demasiado para o integrante do grupo/sujeito.

REFERÊNCIAS

ACHESON, J.; BASS, R.; DAVIDSON, B.; DEMARTINI, F; LAWRENCE,R. Mozart and the Whale. Dirigido por Petter Naess, EUA, 2005. DVD 94 min. / color.

BAN, Ana. Em grupo tudo fica mais fácil. Disponível em: <http://bonsfluidos.abril.com.br/hotsite/relacionamento/relacionamento07.shtml>. Acesso em: 08 jun. 2010.

BARROS, Luiz F. de. Grupos Anônimos de Auto – Ajuda. Disponível em: <http://www.espacoacademico.com.br/031/31cbarros.htm> Acesso em: 12 jun. 2010.

BERNARDI, B.; DAUCHY, D.; GARNER, T.; GIARRAPUTO, J.; JACOBS, J.; ROTH, J. Anger Management. Dirigido por Peter Segal, Eua, 2003. DVD 101 min. / color.

BRUCKHEIMER, J. Confessions of a Shopaholic. Dirigido por P.J. Hogan, EUA, 2009. DVD 104 min. / color.

CARLOS, M.; CAROLINA, M.; VIANNA, V.; GAUVÃO, F. Mulheres Apaixonadas. Dirigido por Ricardo Washington. BRASIL, 2003. Telenovela.

DIAS, Ana R. Co-dependência: “Mulheres que amam demais”. 2008. Dosponível em: < http://pt.shvoong.com/social-sciences/psychology/1758993-depend%C3%AAncia-mulheres-que-amam-demais/> Acesso em: 15 jun. 2010

DUMONT, M. P. Self-help treatment programs. American Journal of Psychiatry, 131, 631-635, 1974.

IN BOKER, Frank; NORTHOMAN, John. Helping: Human services for the 80s. St. Louis: C. V. Mosby, 1981, pp. 209-220. Também foi publicado na Revista Integração, São Paulo, ano 5, número 20, março de 1993, pp.18-19.

PSICOTERAPIA De Grupo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010. [Consult. 2010-06-15]. Disponível em: <URL: http://www.infopedia.pt/$psicoterapia-de-grupo&gt;.

KAPLAN, Harold I., SADOCK, Benjamin J. Compêndio de Psicoterapia de Grupo.Porto Alegre: Editora Artes Médicas, 1996.

KYRROUZ, E. M., HUMPHREY, K. A review of research on the effectiveness of self-help/mutual aid groups. In: B. J. White, E. J. Madera (Eds). The self-help source-book: your guide to community and online support groups. Denvile, N. J.:NorthwestCovenantMedicalCenter, 1998.

LINSON, A.; CHAFFIN, C.; BELL, R.G. Clube da Luta. Dirigido por David Fincher EUA, 1999. DVD. 139 min. / color.

NORWOOD, Robin. Mulheres que Amam Demais. São Paulo: Siciliano. 1995.

MANCIA, L.T., Auto-Ajuda: Lâmina usada em aula, 2009.

MEISSEN, G; WARREN, M.; NANSEL, T.; GOODMAN,S. Líderes do Grupo de Auto-ajuda como ajudantes da comunidade: uma avaliação do impacto. Universidade do Estado de Kansas, 2000.

MUNARI, Denize B.; ZAGO, Márcia M. F. Grupos de apoio/suporte e grupos de auto-ajuda: aspectos conceituais e operacionais, semelhanças e diferenças. Rev. Enferm. UERJ; 5(1):359-66, maio 1997.

RODRIGUES, Joelson Tavares; ALMEIDA, Leonardo Pinto de. Liberdade e compulsão: uma análise da programação dos doze passos dos alcoólicos anônimos. Psicol. estud.,  Maringá,  v. 7,  n. 1, jun.  2002 .   Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-73722002000100014&lng=pt&nrm=iso&gt;. acessos em  13  jun.  2010.  doi: 10.1590/S1413-73722002000100014.

ROEHE, Marcelo Vial. Experiência religiosa em grupos de auto-ajuda: o exemplo de neuróticos anônimos. Psicol. estud.,  Maringá,  v. 9,  n. 3, dez.  2004 .   Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-73722004000300008&lng=pt&nrm=iso&gt;. acessos em  12  jun.  2010.  doi: 10.1590/S1413-73722004000300008.

ROOTES, L.E.; AANES, D.L. A conceptual framework for understanding self-help groups: hospital and community psychiatric. Washington, 43(4):379-81, 1992.

SANCHEZ, Vidal A. Psicologia comunitária: bases conceptuales yorganizativas, métodos de intervención. Barcelona: PPU, 1991.

SILVA, JULIANA BEN BRIZOLA DA. QUANDO AMAR É UM PROBLEMA: OS SIGNIFICADOS DE AMAR DEMAIS A PARTIR DO MADA. TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO DA UFRGS. PORTO ALEGRE, 2008. DISPONÍVEL EM: <HTTP://HDL.HANDLE.NET/10183/17651>

SITE Grupo M.A.D.A. Disponível em: <http://www.grupomada.com.br/> Acesso em 13 de jun. 2010.

SITE Grupo A.A. Disponível em: <http://www.alcoolicosanonimos.org.br/&gt;

SITE Grupo N.A. Disponível em: <http://www.na.org.br/portal/&gt;

VINOGRADOV, Sophia; YALOM, Irvin D. Manual de Psicoterapia de Grupo. Porto Alegre: Editora Artes Médicas, 1992.

ZIMERMAN, David E., OSORIO, Luiz C. Como trabalhamos com grupos. Porto Alegre: Editora Artes Médicas, 1997.

ZIMERMAN, D. E. Fundamentos Básicos das Grupoterapias. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

ZUKERFELD, R. Acto bulímico, cuerpo y tercera tópica. Buenos Aires: Ricardo Vergara, 1992.

YALOM, Irvin; LESZCZ, Molyn. Psicoterapia de Grupo: teoria e prática. São Paulo: Editora Artmed, 2006.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s